A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados está investigando uma possível fraude contábil na Americanas, uma das maiores varejistas do país. Diversos depoimentos têm sido colhidos para esclarecer as inconsistências contábeis e entender o andamento das investigações de fraudes.
Neste artigo, discutiremos os depoimentos mais relevantes até o momento e a visão dos diferentes atores envolvidos nesse caso.
A recuperação judicial e os depoimentos dos ex-diretores
No dia 19 de janeiro, a Americanas solicitou recuperação judicial após anunciar um rombo contábil de R$ 20 bilhões. Isso chamou a atenção da CPI, que convocou o ex-diretor da empresa, Marcio Cruz Meirelles, e a ex-superintendente de Controladoria, Flavia Pereira Carneiro, para prestar esclarecimentos. O relator da CPI, deputado Carlos Chiodini (MDB-SC), está em busca de informações sobre as inconsistências contábeis e deseja entender a situação atual da persecução penal relacionada ao caso.
Na audiência, Chiodini também ouvirá o procurador da República do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, Jose Maria Castro Panoeiro, e o delegado de Polícia Federal da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, Acen Amaral Vatef. Ambos são responsáveis pelas investigações de fraudes e fornecerão informações sobre o andamento dessas investigações.
Depoimentos anteriores e diferentes perspectivas
Ao longo da CPI, diversos depoimentos têm trazido diferentes perspectivas sobre o caso. Na primeira audiência pública, Aurelio Valporto, presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), afirmou que as fraudes no mercado de capitais brasileiro são resultado da certeza de impunidade dos infratores.
Julimar Roberto, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores (CUT), compareceu à comissão e defendeu que as federações e confederações trabalhistas entraram na Justiça para responsabilizar os principais credores da Americanas pelo pagamento de direitos trabalhistas, caso o patrimônio da empresa não seja suficiente para cobrir essas despesas.
Por sua vez, o presidente da Americanas, Leonardo Coelho Pereira, reconheceu perante a CPI que a crise na varejista não pode mais ser tratada como uma questão de inconsistências contábeis, mas sim como uma fraude.


