Só de visitar um site, o iPhone pode ser invadido — e você nem percebe. Um programa espião chamado Darksword foi identificado por pesquisadores de segurança digital, capaz de acessar mensagens, senhas, fotos e até carteiras de criptomoedas em iPhones que não foram atualizados. A ameaça já atingiu países como Ucrânia, Turquia, Arábia Saudita e Malásia — e o número de aparelhos vulneráveis pode chegar a 270 milhões no mundo todo.
A descoberta foi feita pelas empresas Lookout e iVerify, com apoio de pesquisadores do Google, e levantou um alerta urgente: iPhones que ainda rodam versões antigas do iOS estão expostos a ataques que não exigem nenhuma ação do usuário além de acessar uma página na internet.
O que é o Darksword e como ele ataca iPhones?
O Darksword é um conjunto de exploits — um tipo de ataque em que o invasor usa múltiplas falhas de segurança para comprometer um dispositivo e extrair informações. Segundo o Google Threat Intelligence Group, a ferramenta usa seis vulnerabilidades diferentes para comprometer completamente um iPhone vulnerável.
O ataque começa pelo navegador Safari e, ao visitar um site malicioso ou comprometido, o dispositivo pode ser infectado sem que o usuário perceba — o que os especialistas chamam de ataque drive-by.
Quais dados podem ser roubados
Após uma exploração bem-sucedida, o malware Ghostblade é executado no dispositivo e coleta uma série de informações pessoais, incluindo: mensagens SMS e iMessage, histórico de chamadas, contatos, senhas de Wi-Fi, cookies e histórico de navegação do Safari, dados de localização, fotos, arquivos do iCloud Drive, e-mails e até mensagens do Telegram e WhatsApp.
Além disso, o Ghostblade se destaca por também buscar dados de criptomoedas, identificando aplicativos de exchanges como Coinbase, Binance e Kraken, além de carteiras como Ledger, MetaMask e Exodus. Após extrair as informações, o malware apaga seus próprios rastros, o que dificulta a detecção por parte da vítima.
Quais versões do iOS estão vulneráveis
O Darksword foi identificado como capaz de atingir iPhones com versões do iOS entre 18.4 e 18.7, lançadas entre março e agosto do ano passado.
Estimativas da iVerify indicam que até 270 milhões de iPhones ao redor do mundo ainda utilizam versões do sistema operacional vulneráveis a esses ataques.
Segundo caso em menos de um mês
O Darksword é o segundo caso identificado em março envolvendo ferramentas de espionagem voltadas especificamente para dispositivos Apple. No início do mês, pesquisadores já haviam revelado outro programa chamado “Coruna”, que também explorava falhas no sistema iOS.
Justin Albrecht, pesquisador da Lookout, afirmou à Reuters que “agora existe uma cadeia confirmada de ferramentas desse tipo que acabaram nas mãos de grupos possivelmente criminosos interessados em ganhos financeiros.”
Quem está por trás dos ataques com Darksword
Pesquisadores do Google identificaram campanhas de ataque usando o Darksword contra alvos na Arábia Saudita, Turquia, Malásia e Ucrânia. Algumas dessas operações estão associadas a um fornecedor de tecnologia de vigilância chamado PARS Defense, sediado na Turquia.
Além disso, um grupo de espionagem suspeito de ter ligações com a Rússia, identificado como UNC6353, utilizou o Darksword em ataques contra alvos ucranianos a partir de dezembro de 2025, com operações registradas até março de 2026.




