Um consórcio de jornais britânicos e norte-americanos revelou que agências governamentais podem ter usado um software para espionar o celular de jornalistas, ativistas e políticos de oposição de ao menos 50 países. Segundo informações da Forbidden Stories, uma organização francesa sem fins lucrativos, e da Anistia Internacional, 50 mil aparelhos teriam sido invadidos.
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As organizações não falam quais seriam os governos envolvidos, mas citam que 15 mil números são do México. Também há vários números da Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio. Ainda foram encontrados números da França, Hungria, Índia, entre outros.
Segundo as reportagens, o software utilizado pelos governos é o Pegasus, criado empresa israelense NSO Group. Em resumo, o programa é um vírus para smartphones e consegue ligar a câmera e o microfone do celular sem o consenso do usuário. Ele também pode acessar dados do dispositivo, fornecendo a quem espiona tudo o que precisa saber da vítima.
O Pegasus é capaz de se infiltrar em sistemas operacionais Android e iOS, independentemente de atualizações e versões. Para isso, as agências governamentais utilizariam técnicas de phishing, que são artimanhas para fazer a vítima baixar o vírus sem saber. O phishing é amplamente utilizado por criminosos, como os clássicos casos de links estranhos enviados por WhatsApp.
O Pegasus consegue ler até mensagens do WhatsApp e outros aplicativos de mensageria da vítima. Isso porque o vírus grava o conteúdo da tela da vítima, driblando até mesmo a criptografia de ponta a ponta utilizada pelos apps.
Quem foram os alvos?
As reportagens internacionais apontam que já foram identificadas mil pessoas da lista. Entre elas, estão 189 jornalistas, incluindo grandes empresas, como as agências de notícias Associated Press e Reuters, os jornais The Wall Street Journal, Le Monde, Washington Post e Guardian, e a rede CNN.
Também foram encontrados números de celular de mais de 600 políticos e alguns líderes de governo. Até mesmo 65 executivos de empresas teriam sido espionados, além de 85 ativistas de direitos humanos.
Quem supostamente escolhia os alvos eram as próprias agências dos governos, com o NSO Group responsável apenas por vender o programa de espionagem. Para organizações de defesa dos direitos humanos, o uso desse tipo de solução por governos é um abuso de poder. Segundo elas, as desenvolvedoras não contam com regulamentações para criar estes softwares.



