O governo federal pode controlar o dinheiro gasto por usuários do Bolsa Família em apostas esportivas? A resposta para essa pergunta está causando polêmica dentro do Poder Executivo e até mesmo do Supremo Tribunal Federal (STF) neste momento.
Por meio de ofício divulgado nesta sexta-feira (13), a Advocacia-Geral da União (AGU) disse que o governo federal enfrenta dificuldades nesse momento para adotar medidas que sejam capazes de impedir o uso dos recursos do Bolsa Família para pagar as apostas esportivas.
O ofício foi divulgado como uma espécie de recurso a uma decisão recente do STF. O Tribunal determinou que o governo federal criasse mecanismos para impedir que o dinheiro do programa social, voltado a família vulneráveis, fosse desviado para atividades de risco como as bets.
No recurso, a AGU argumenta que:
- as contas bancárias do Bolsa Família não são usadas apenas para o benefício – ou seja, recebem dinheiro de outras fontes;
- o governo não tem como “microgerenciar” os gastos de cada família para saber para onde vai o dinheiro recebido;
- o governo não pode passar para as bets a lista de beneficiários;
- mesmo se vetasse todos os cartões de débito, o governo não teria como impedir pagamentos por PIX ou cartões pré-pagos, que também poderiam usar dinheiro do Bolsa Família.
“Desse modo, conquanto louvável e necessária a preocupação com a situação econômica de indivíduos e famílias vulneráveis, a adoção de ‘medidas imediatas’ encontra barreiras de ordem prática de difícil superação, razão pela qual faz-se imprescindível o aclaramento do acórdão recorrido […]”, diz a AGU no recurso.
“[…] As razões recursais ora apresentadas não pretendem manifestar discordância com as premissas conceituais constantes do acórdão embargado, as quais estão alicerçadas em preceitos constitucionais voltados à defesa da saúde mental, especialmente das crianças e adolescentes, assim como à proteção econômica de indivíduos e famílias vulneráveis”, diz a AGU.
O que Lula decidiu sobre o Bolsa Família
Como já se esperava, a última palavra sobre o tema seria dada pelo presidente Lula, e ele deu. Informações de bastidores colhidas por veículos de imprensa indicam que o chefe de estado optou por não fazer nada neste primeiro momento.




