Na última quinta-feira, 21 de setembro, a Justiça a indenização de 4 milhões de brasileiros que participavam do Auxílio Brasil. Isto é, programa social que substituiu o Bolsa Família entre 2021 e 2022.
A indenização ocorreu em razão de vazamento de dados do sistema do Auxílio Brasil no decorrer do ano passado.
O juiz responsável pela decisão, Marco Aurélio de Mello, acolheu a sustentação do instituto Sigilo. Este, por sua vez, indicou que o vazamento de dados teria sido para venda de serviços e produtos financeiros, como linhas de crédito consignado.
Além disso, segundo o instituto, este vazamento buscava beneficiar o ex-presidente eleitoralmente, a partir de apoio político entre a população mais vulnerável.
“Reportagens jornalísticas aprofundaram o tema e narraram que os beneficiários do Programa Auxílio Brasil teriam sido chantageados no sentido de que se Luiz Inácio Lula da Silva ganhasse o pleito eleitoral, eles perderiam o benefício”, destaca o magistrado, em referência à publicação do site The Brazilian Report.
No entanto, ainda que sem a intenção eleitoral, o magistrado manteve sua decisão.
“Sabe-se que tendo cunho eleitoral ou não, ou qualquer outro o objetivo com o vazamento, este se constitui fato grave, devendo ser apurada a sua extensão, interrompida a sua disseminação e haver a responsabilização dos envolvidos”, completa.
Além do valor para os cidadãos, a sentença da 1ª Vara Cível Federal de São Paulo determinou que as rés executem o pagamento de R$ 40 milhões em virtude de danos morais coletivos. Desse modo ,a quantia que deve se reverter ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos.
Ademais, as estatais também devem comunicar todos os lesados:
- A razão do vazamento de informações; e
- Quais serão as próximas medidas para minimizar os impactos da ação.
Contudo, ainda é possível que estes recorram da decisão.
Ainda é possível recorrer
Depois da decisão, deverão realizar o pagamento:
- União;
- Caixa Econômica Federal;
- Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev); e
- Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
No entanto, a Caixa destacou que irá recorrer da sentença e que já investiga o caso.
“Caso se constate eventual irregularidade, adotará as medidas cabíveis, com as devidas responsabilizações. O banco esclarece que não identificou, em análise preliminar, vazamento de dados sob sua guarda e reforça que possui infraestrutura adequada à manutenção da integridade de sua base de dados e da segurança dos sistemas do Cadastro Único, garantindo o cumprimento dos preceitos previstos na LGPD”, informou a instituição financeira estatal.
Veja também: Bolsa Família é antecipado para ESTAS famílias em setembro
Por fim, a partir de nota, a Dataprev também salientou que a sentença não é definitiva.
“A Dataprev irá recorrer judicialmente e ressalta que não reconhece o vazamento de dados citado na ação, tendo em vista que não houve registro desse tipo de incidente”, destacou a empresa.
Como foi a ação judicial?
A ação judicial foi movida pelo Instituto de Defesa da Proteção de Dados Pessoais, Compliance e Segurança da Informação, também chamado de Sigilo.
No texto, a entidade destacava que, em 24 de outubro de 2022, houve um vazamento em massa de dados de mais de 4 milhões de beneficiários do Auxílio Brasil.



