A inflação da indústria brasileira caiu 0,35% em abril deste ano, na comparação com o mês anterior. Com isso, a variação acumulada em 2023 ficou ainda mais negativa, passando de -0,66% para -0,99%. Significa que os preços estão menores do que no mesmo período de 2022.
Em síntese, o recuo em abril é o oitavo nos últimos nove meses. No período, o único resultado positivo ocorreu em janeiro (+0,29%), mas ainda assim foi bastante leve. Aliás, nos últimos nove meses, a inflação da indústria caiu 8,29% no país. Os recuos observados nos últimos meses do ano passado fizeram a inflação da indústria desacelerar e subir apenas 3,13% em 2022.
Ao considerar os últimos 12 meses até abril, a inflação da indústria caiu 4,63%. Essa é a maior queda da série histórica, ou seja, os preços da indústria do país nunca caíram tanto em 12 meses quanto neste ano. A propósito, todos os dados se referem ao Índice de Preços ao Produtor (IPP), medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em suma, o indicador é considerado a inflação da indústria e seus resultados tendem a indicar a trajetória que a inflação ao consumidor seguirá. Assim, quanto menor a variação do índice, melhor para os consumidores.
De acordo com o IBGE, o IPP “tem como principal objetivo mensurar a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, bem como sua evolução ao longo do tempo, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no país”.
“Constitui, assim, um indicador essencial para o acompanhamento macroeconômico e, por conseguinte, um valioso instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados”, informa o instituto.
O IPP analisa o progresso dos preços dos produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, medindo a evolução de 24 atividades das indústrias extrativas e de transformação.
Indústria química derruba inflação no país
A inflação dos preços em abril ficou negativa, mas não de maneira muito disseminada entre os setores industriais. Segundo o IBGE, a taxa inflacionária apresentou variações negativas em 12 das 24 atividades industriais pesquisadas.
Embora apenas metade das atividades pesquisadas tenha apresentado queda nos preços, os recuos foram mais intensos que as altas nos valores. Dessa forma, o IPP acabou caindo, aliviando o bolso dos produtores.
Veja abaixo as atividades com as maiores variações em abril:
- Farmacêutica: 3,97%
- Papel e celulose: -3,57%;
- Madeira: -3,19%;
- Outros produtos químicos: -2,61%.
“A indústria química foi a atividade de maior influência no resultado do IPP em abril, com uma queda de 2,61%, décima variação negativa seguida“, destacou Murilo Lemos Alvim, analista da pesquisa.



