O Tribunal de Contas da União (TCU), realizou uma auditoria e investigação nos recursos apresentados por segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Nesta auditoria foram apresentadas falhas nos julgamentos de processos no CRPS (Conselho de Recursos da Previdência Social).
Dentre os problemas encontrados nos processos do INSS estão a baixa capacidade operacional para julgar recursos, falta de uniformização dos entendimentos em processos de mesmo tema, ineficiência nos casos que envolvem perícia médica, falta de clareza ao comunicar os motivos das negativas e baixo número de processos analisados por servidores que não recebem bônus.
A auditoria do TCU foi realizada em processos de 2021, através de amostras representando um total de 361,4 mil ações. Segundo o TCU, para o INSS julgar os 247,7 mil acórdãos pendentes na época, seriam necessários 16 anos. Isso porque, enquanto se julgava, em média, 34,1 mil recursos mensais, 48,8 mil novos recursos entravam a cada mês.
Além disso, o prazo de finalização dos processos também estava muito longo. Desde a distribuição até o cumprimento da sentença, os processos demoravam 4 vezes mais do que o previsto em lei. No CRPS, as ações chegavam ao final após 1.029 dias, sendo que o prazo deveria ser de 280 dias.
Automatização de processos do INSS
O relatório apresentado pelo TCU também apontou que a automatização de sistemas do INSS têm contribuído para o alto número de recursos no CRPS e excessiva judicialização de processos contra o instituto. O INSS utiliza robôs na análise inicial de pedidos de benefício.
O ministro relator, Aroldo Cedraz, defendeu a utilização de robôs e inteligência artificial no relatório. No entanto, ele afirmou que é preciso adequar os algoritmos, para evitar negativas excessivas. De acordo com o relatório, o algoritmo do INSS estava com uma resposta padrão negativa em 60% dos casos, sem explicações aos segurados sobre os motivos.



