O anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira (12) sobre o fim da chamada “taxa das blusinhas” promete impactar diretamente quem costuma fazer compras internacionais.
A cobrança, que incidia sobre produtos de até US$ 50 vendidos por plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, vinha sendo alvo de reclamações entre consumidores que buscavam itens importados mais acessíveis.
Após quase dois anos de cobrança, o governo decidiu revogar a medida, retomando a isenção para esse tipo de compra. A mudança passou a valer na quarta-feira, 13 de maio de 2026, por meio de uma Medida Provisória publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
A seguir, entenda o que muda com o fim da taxa e como a decisão pode afetar os consumidores.
O que era a “taxa das blusinhas”?
Popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”, a cobrança corresponde a uma alíquota de 20% de imposto de importação sobre encomendas internacionais de até US$ 50.
A medida passou a valer em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional e sanção do próprio Lula. O objetivo declarado foi regular o comércio internacional e atender a demandas da indústria nacional.
Antes da mudança, compras de até US$ 50 eram isentas do imposto federal quando feitas em lojas participantes do programa Remessa Conforme. Com a nova regra, essas compras passaram a ser tributadas, afetando diretamente consumidores de plataformas estrangeiras de produtos populares.
Como começou e por que acabou?
O governo passou a aplicar a taxa diante do crescimento das importações de baixo valor e da pressão de setores da indústria nacional, que afirmavam enfrentar concorrência desigual por causa da carga tributária mais baixa sobre produtos estrangeiros.
Entretanto, a taxação foi altamente criticada por consumidores e até por parte do próprio governo. O presidente Lula chegou a considerar a decisão “irracional”, mas a sancionou. Em pesquisa da Latam Pulse Brasil/AtlasIntel e Bloomberg, 62% dos brasileiros afirmaram considerar esse imposto o maior erro do governo até então.
Após meses de críticas e debates internos, a Medida Provisória publicada nesta semana foi resultado de intensa articulação do setor político do governo e da pressão popular. O argumento de que o fim da taxa poderia favorecer a imagem do governo também pesou nessa decisão.
O que muda nas compras internacionais com o fim da taxa?
A medida passou a valer em 13 de maio de 2026. Desde então, compras de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em plataformas estrangeiras deixaram de pagar o imposto de importação federal de 20%, mantendo apenas a cobrança do ICMS estadual.
Para compras acima de US$ 50, segue valendo a cobrança de 60% sobre o valor do produto.
Quem se beneficia?
Consumidores que compram itens de baixo valor em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress serão os principais beneficiados. Essas empresas cresceram significativamente nos últimos anos, principalmente por oferecer artigos acessíveis e uma grande variedade de produtos que muitas vezes não são encontrados facilmente no mercado nacional.
Com a retomada da isenção, o acesso a roupas, eletrônicos menores, acessórios e centenas de categorias volta a ser mais econômico para o brasileiro.
E a indústria nacional?
A indústria brasileira criticava a isenção, alegando que ela prejudicava produtores locais devido à concorrência com produtos importados sem taxas federais. Recentemente, entidades desse setor expressaram preocupação com a perda de arrecadação.
Nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação com encomendas internacionais, um aumento de 25% sobre o mesmo período do ano anterior.
Essa movimentação mostra o peso do comércio exterior no orçamento público, mas revela também a pressão da opinião pública e dos consumidores sobre a política econômica adotada.

Imagem: Notícias Concursos
Remessa Conforme e ICMS: o que permanece?
Mesmo com o fim do imposto de importação nessa faixa de valor, segue vigente o programa Remessa Conforme. Criado para regularizar o comércio eletrônico internacional, ele simplificou o recolhimento do ICMS estadual.



