A aprovação da Reforma Tributária pode ter um impacto significativo nos serviços de streaming, como Netflix, Prime Video, Disney Plus e Spotify. Especialistas entrevistados pelo InfoMoney afirmam que é esperado um aumento nos impostos para as empresas, o que provavelmente será repassado aos consumidores.
Os Efeitos da Reforma Tributária no Setor de Serviços
De acordo com Fabio Ferraz, advogado tributarista e sócio-fundador do Mamere Ferraz Advogados, os efeitos da reforma tributária serão sentidos não apenas pelas empresas de streaming, mas por todo o setor de prestação de serviços.
Atualmente, essas empresas pagam até 9,25% de PIS e Cofins e uma alíquota máxima de 5% de ISS. Com a criação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que unifica os impostos existentes, espera-se um aumento significativo na carga tributária para essas empresas.
O IBS é composto por dois tributos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o IBS. O primeiro substituiria três tributos federais (PIS, Cofins e IPI), enquanto o segundo substituiria o ICMS (estadual) e o ISS (municipal). A alíquota padrão do IBS é esperada para variar entre 25,45% e 27%.
O Impacto nos Consumidores
Com a sanção da reforma, é provável que os consumidores sintam o impacto nos serviços de streaming, incluindo um possível aumento nos valores das assinaturas. O aumento da alíquota máxima de 14,25% (PIS, Cofins e ISS) para cerca de 25% (IBS) torna inevitável o repasse dos impostos para o consumidor, resultando em um aumento no preço dos serviços.
Alessandra Carioni, advogada tributarista e professora de Direito na Faculdade CESUSC/SC, afirma que é preciso aguardar a confirmação das alíquotas para determinar os efeitos da mudança. No entanto, é inegável que haverá um aumento substancial na tributação para o setor de serviços de internet.
Os custos tributários são sempre repassados aos consumidores, pois são considerados no momento de definição dos preços e margens de lucro das empresas.
Simulação dos Custos de Tributação
Para exemplificar os efeitos da reforma tributária, Thales Belchior, tributarista e professor do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), realizou uma simulação dos principais custos de tributação para empresas do setor de streaming, de acordo com as regras fiscais atuais.
Considere a seguinte situação e as regras de aplicação dos tributos (que se manterão com a reforma):
- Empresa de streaming com uma receita bruta anual de R$ 100 milhões: Nesta faixa, incidem ISS e PIS/Cofins.
- Desse total, R$ 80 milhões são de despesas pré-tributos (despesas gerais).
- Desses R$ 80 milhões, metade ou R$ 40 milhões são relativos a serviços/bens creditáveis, ou seja, custos que permitem a compensação de impostos. Nessa faixa, incide a mesma alíquota de PIS/Cofins aplicada na receita bruta. O resultado é subtraído do PIS/Cofins aplicado primeiramente sobre a receita bruta.
A tributação atual seria a seguinte:
- 5% de ISS sobre R$ 100 milhões: R$ 5 milhões;
- 9,25% de PIS/Cofins sobre R$ 100 milhões: R$ 9,25 milhões;
- 9,25% de PIS/Cofins sobre R$ 40 milhões: R$ 3,7 milhões (subtraído da conta porque é um crédito que pode ser compensado);
- Tributação final paga pela empresa: R$ 5 milhões + (R$ 9,25 milhões – R$ 3,7 milhões) = R$ 10,55 milhões.
Com a reforma, a tributação seria a seguinte:
- 25% do IBS sobre R$ 100 milhões: R$ 25 milhões;
- 25% do IBS sobre R$ 40 milhões: R$ 10 milhões (subtraído da conta porque poderá ser compensado);
- Tributação final paga pela empresa: R$ 25 milhões – R$ 10 milhões = R$ 15 milhões.
Assim, a diferença entre a tributação atual e a prevista com a reforma seria um aumento de 42% para a empresa. Estima-se que a carga tributária possa ser ainda maior, variando entre 40% e 70% para as empresas de serviços, dependendo do nicho de negócio.



